Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Adolescência
A adolescência é o período de transição entre a infância e a idade adulta, começando num acontecimento biológico (a puberdade) e terminando num acontecimento psicossocial (a independência em relação aos pais), a adolescência é marcada por grandes transformações físicas, cognitivas e intelectuais e termina apenas quando o indivíduo define a sua identidade e assume as responsabilidades e papéis adultos.
É um período difícil mas de grandes e importantes vivências devido ás alterações abruptas a vários níveis, e desafios e problemas cuja resolução vai marcar a vida futura.
Transformações
 
o       Desenvolvimento Físico
 
O motor biológico da adolescência é a puberdade, que é um conjunto de processos biológicos relacionados entre si que vão transformar a criança num indivíduo sexual e fisicamente maduro.
O inicio da puberdade caracteriza-se pelo rápido crescimento muscular e orgânico que ocorre praticamente ao mesmo tempo que o desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias.
Estas alterações hormonais e as consequentes transformações físicas e orgânicas para além de surpreenderem o adolescente exercem sobre ele um forte impacto psicológico. Esse impacto poderá ser negativo ou positivo mediante o indivíduo sinta prazer e orgulho ou pelo contrário sinta vergonha e embaraço pelo seu corpo. Para o tipo de reacção também contribuem os padrões de beleza da sociedade bem como a reacção dos pais e colegas. Esses padrões levam por vezes os adolescentes que não se sintam atraentes a sofrerem de depressões e distúrbios alimentares com o intuito de atingir o padrão cultural do “corpo ideal”. Esses casos verificam-se maioritariamente nas raparigas.
 
 
o       Desenvolvimento cognitivo
 
É no inicio da adolescência que os indivíduos passam do pensamento lógico-concreto para o pensamento lógico-abstracto que permite lidar com realidades hipotéticas e possibilidades, segundo Piaget.
Umas das marcas desta evolução cognitiva é o idealismo e o espirito critico tão bem visíveis na adolescência. Esse idealismo leva o adolescente a imaginar mundos perfeitos, justos, sem discriminações criticando a realidade em que vivem, é esta maneira de ver o mundo que faz dos adolescentes a esperança da evolução social.
Piaget chama de egocentrismo adolescente à convicção que o adolescente tem de que é o centro das atenções e das preocupações dos outros, julgando-se único e invulnerável. Este egocentrismo revela a falta de maturidade do pensamento adolescente mas revela ao mesmo tempo a preocupação consigo próprio..
Já Elkind afirma que o adolescente tem o sentimento de estar a ser constantemente observado pelos que o rodeiam – “audiência imaginária”. Outros fenómenos como a “fábula pessoal” (acredita que todas a suas experiências e sentimentos são únicos), e “ilusão da vulnerabilidade” (os acidentes e desgraças só acontecem aos outros) são também característicos da adolescência.
 
 
 
Construção de uma identidade
 
“Quem sou eu?” / “Crise de identidade”
 
Para Erikson os adolescentes procuram crias uma identidade que lhes permita a participação no mundo adulto, adquirindo confiança, autonomia, iniciativa e competência. A construção da identidade começa na primeira infância e dura toda a vida.
A “crise de identidade” deve-se a dois factores: a exigência social e a insegurança pessoal. O indivíduo tem dois grandes desafios pela frente:
  1. Encontrar uma orientação para a vida que não traia as suas aspirações, valores, atitudes e crenças mas que seja consistente com o que a sociedade espera de si;
  2. Construir uma identidade que exprima uma autonomia e independência em relação aos pais sem romper a ligação com a família.
Segue-se uma período de tempo em que o adolescente explora diversas alternativas com o objectivo de se autodefinir de uma forma autêntica e em que pode parecer á deriva mas, no fundo, está à procurado que é e vai ser, esta fase é denominada de moratória psicossocial.
Segundo James Marcia, que aprofundou o legado de Erikson, o progresso do adolescente em direcção à formação de identidade dá-se em quatro fase que não são obrigatoriamente consequentes:
ü      Difusão de identidade – Os indivíduos evitam compromissos, não consideram seriamente nenhuma opção. Pouca confiança sentem-se confusos ou intimidados com a tarefa de encontrar uma identidade própria. Nenhum compromisso/Nenhuma crise.
ü      Identidade outorgada – Os indivíduos possuem identidade maioritariamente determinada pelos adultos e não pela exploração pessoal de alternativas. Não são responsáveis pelo que decidiram ser. Compromisso sem crise.
ü      Moratória – Os indivíduos continuam numa fase de experimentação de alternativas e possibilidades, embora a procurem ainda não têm uma identidade própria. Crise mas ainda sem compromisso.
ü      Realização da identidade – O indivíduo depois de explorar várias alternativas escolheu deliberadamente uma identidade. Crise que conduz a um compromisso.
 
 
Como nota final é importante realçar que a fase da realização se pode atingir a certos aspectos da personalidade e não a outros, a crise da identidade vai-se resolvendo gradualmente em diferentes domínios. Geralmente a identidade só fica completamente integrada na plena fase adulta.
publicado por Estamos cá para ajudar às 14:31
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